CASACOR São Paulo 2026

A CASACOR São Paulo 2026, exibida entre 2 de junho e 9 de agosto no Parque da Água Branca, convidou o público a enxergar a casa como um cenário dedicado à introspecção, ao bem-estar e à reconexão pessoal.

Tendo como tema “Mente e Coração”, a 39ª edição da mostra apresenta uma visão do morar que vai além da funcionalidade e da estética. Em mais de 70 ambientes distribuídos por uma área superior a 10 mil metros quadrados, arquitetos, designers, paisagistas e artistas exploram a relação entre espaço, memória, bem-estar e conexão humana.

 

Design que promove reconexão

Uma das características mais marcantes da edição deste ano é o caráter profundamente pessoal dos projetos. Em vez de apresentar apenas tendências e soluções técnicas, muitos profissionais transformaram experiências familiares, lembranças de infância e objetos carregados de significado em elementos centrais de seus ambientes.

Essa abordagem reforça uma mudança importante no mercado imobiliário e na arquitetura residencial contemporânea: a busca por casas que expressem identidade e autenticidade. Mais do que ambientes impecáveis, cresce o desejo por espaços que contêm histórias que despertem emoções e fortaleçam o sentimento de pertencimento.

 

Destaques na mostra

O tema “Mente e Coração” aparece como uma resposta à ideias modernas de progresso e eficiência extrema na casa e ao excesso de padronização no design. Essa experiência da CASACOR São Paulo 2026 começa antes mesmo da entrada nos ambientes expositivos.

Favaro Arquitetos - Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.
Favaro Arquitetos – Galeria Muxarabi. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Assinada pelo escritório Favaro Arquitetos, a Galeria Muxarabi estabelece uma transição entre o Parque da Água Branca e o evento por meio de uma sequência de painéis metálicos vazados que envolvem o percurso sem ocultar a arquitetura histórica do local.

Com cerca de 20 metros de extensão, a passagem coberta cria um caminho com jogos de luz e sombra, devido aos recortes orgânicos dos muxarabis, que filtram a iluminação natural e dialogam com a vegetação ao redor. O resultado é um espaço que convida o visitante a desacelerar e vivenciar, de forma gradual, a proposta da edição, pautada pela reconexão e pela experiência sensorial.

Outro projeto de destaque é o Cubijoo Pavilion assinado pelo designer holandês Edward van Vliet. O pavilhão apresenta uma arquitetura modular que une flexibilidade construtiva e bem-estar. Com 50 m², o ambiente utiliza uma estrutura pré-fabricada em aço revestida por painéis de madeira e acabamentos cerâmicos, resultando em uma estética acolhedora e integrada à paisagem.

O espaço foi concebido como um refúgio para contemplação, combinando uma área interna dedicada à meditação com um ambiente externo voltado ao relaxamento. A escolha de materiais naturais, como madeira, cerâmica e vidro, reforça a atmosfera sensorial da proposta.

Edward van Vliet - Cubijoo Pavilion. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.
Edward van Vliet – Cubijoo Pavilion. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

 

No ambiente Nota em Linhas, Rafaella Manso transforma a escadaria e o lounge do primeiro casarão da mostra em uma homenagem à música e à memória afetiva. O destaque é um piano de 1951, herdado de sua avó, que ocupa uma posição central sobre uma base de mármore e simboliza a ligação entre passado e presente.

A linguagem musical se estende por todo o projeto por meio de um móbile suspenso que remete ao traçado das partituras, enquanto os vitrais filtram a luz natural e criam uma atmosfera marcada por ritmo e leveza. Ao preservar elementos originais do edifício, como o piso de granilite e as molduras de gesso, o projeto valoriza a identidade histórica do casarão ao mesmo tempo em que incorpora uma linguagem contemporânea.

Rafaella Manso - Nota em Linhas. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.
Rafaella Manso – Nota em Linhas. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

 

No Lounge Mi Corazón, Michele Wharton constrói uma sala de estar de aproximadamente 30 m² marcada por referências afetivas ligadas à sua herança latina. Inspirado em memórias de uma residência dos anos 1980, o ambiente resgata a ideia da casa como extensão das emoções e como espaço de expressão cultural.

A composição reúne uma diversidade de elementos decorativos, onde peças de diferentes origens (como tapetes de influência oriental, porcelanas e vasos ornamentais) convivem com referências da cultura panamenha. Essa mistura aparece também nos tecidos bordados, nas cerâmicas artesanais e em elementos que reinterpretam trajes tradicionais como forma de linguagem estética. Um mural com a pintura de um pavão se destaca na cena, trazendo simbolismos associados a proteção e espiritualidade, reforçando o caráter narrativo do espaço

Michele Wharton - Lounge Mi Corazón. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.
Michele Wharton – Lounge Mi Corazón. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

 

Além dos ambientes no casarão, também se destacam os projetos de paisagismo no jardim do evento. O Jardim Ikigai, assinado por Vitor Kodama, parte do conceito japonês que relaciona propósito de vida e bem-estar para criar uma experiência paisagística de caráter contemplativo.

No projeto, natureza e técnica se articulam em uma composição que estimula a introspecção. Totens distribuídos ao longo do percurso estruturam o espaço e combinam materiais como madeira, pedra, espelhos e vegetação, criando superfícies que refletem tanto o entorno quanto o próprio visitante. Esses elementos verticais se alternam em diferentes alturas e organizam o deque, tratado com uma técnica tradicional de carbonização da madeira, que reforça a relação com o tempo.

A presença de arranjos florais de origem familiar acrescenta uma dimensão afetiva ao conjunto, conectando memória e paisagem.

Vitor Kodama - Jardim Ikigai. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.
Vitor Kodama – Jardim Ikigai. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

 

Novas formas de morar ganham protagonismo

Outro destaque da mostra são as chamadas tiny houses, que apresentam soluções compactas para um estilo de vida mais consciente e conectado às necessidades contemporâneas.

Felipe Rossi Arquitetura - Casa Limiar R. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.
Felipe Rossi Arquitetura – Casa Limiar R. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

As propostas exploram sistemas construtivos modulares, estruturas desmontáveis, uso eficiente dos recursos naturais e integração com a paisagem. Claraboias, amplas superfícies envidraçadas, materiais reciclados e tecnologias construtivas sustentáveis demonstram que conforto e qualidade de vida não dependem necessariamente de grandes metragens.

Volar Interiores - Casa Enamorada. Assinado por Erica Gonçalves e Cinthia Gontijo. O Projeto de 60 m² com sistema construtivo modular propõe soluções sustentáveis de uso de recursos que forneçam
conforto para o morador.
Volar Interiores – Casa Enamorada. Assinado por Erica Gonçalves e Cinthia Gontijo. O Projeto de 60
m² com sistema construtivo modular propõe soluções sustentáveis de uso de recursos que forneçam
conforto para o morador.

A aparição dessas moradias como tendência arquitetônica refletem transformações no comportamento dos moradores. Flexibilidade, praticidade, redução do impacto ambiental e maior proximidade com a natureza aparecem como prioridades para uma nova geração de consumidores.

Para o mercado imobiliário, esse movimento sinaliza oportunidades em modelos habitacionais mais compactos e alinhados aos princípios da sustentabilidade.

 

A natureza e a sustentabilidade na CASACOR 2026

Maria Fernandes Marques Paisagismo - Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.
Maria Fernandes Marques Paisagismo – Da Terra ao Solo. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

Os jardins apresentados ao longo do percurso demonstram como a paisagem pode contribuir para a saúde física e emocional dos usuários. Espelhos d’água, vegetação nativa, percursos sensoriais, áreas de contemplação e espaços dedicados à biodiversidade transformam o contato com a natureza em uma experiência ativa.

Em um momento em que a qualidade de vida se tornou um dos principais critérios na escolha de um imóvel, os projetos evidenciam o potencial das áreas verdes como elementos capazes de gerar bem-estar, conforto térmico e conexão com o entorno.

A valorização de espécies brasileiras e de estratégias de baixo impacto ambiental também reforça uma discussão cada vez mais relevante nas cidades: a necessidade de integrar desenvolvimento urbano e preservação ambiental.

Estudio Musgo - Refúgio Fleury. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.
Estudio Musgo – Refúgio Fleury. Projeto da CASACOR São Paulo 2026.

A CASACOR São Paulo 2026 reforça um compromisso estruturado com práticas ambientais ao adotar um modelo de operação lixo zero. Os resíduos gerados durante a montagem, uso e desmontagem dos ambientes são integralmente direcionados para reciclagem, reaproveitamento ou encaminhamento a iniciativas sociais, criando um ciclo mais responsável para os recursos utilizados na mostra.

As intervenções de paisagismo no Parque da Água Branca seguem um conjunto de diretrizes rigorosas de preservação ambiental. As árvores existentes são integralmente preservadas, respeitando seu caráter de patrimônio natural protegido. Além disso, toda a vegetação incorporada ao evento é instalada em estruturas removíveis, sem contato direto com o solo, o que garante a recuperação plena do espaço após o término da exposição.

O cuidado ambiental se estende também à escolha das espécies vegetais e às soluções de iluminação. As plantas utilizadas passam por critérios de seleção que evitam riscos à fauna local, enquanto o sistema luminotécnico das áreas externas foi desenvolvido para reduzir impactos nos ciclos naturais do parque. Com temperaturas de cor mais quentes e maior fidelidade de reprodução cromática, a iluminação busca minimizar a interferência na fauna local.

 

Arquitetura para desacelerar

A CASACOR São Paulo 2026 mostra que o futuro da arquitetura não está apenas na inovação tecnológica. Está também na capacidade dos espaços de criar vínculos, oferecer descanso e promover o bem-estar a partir de experiências significativas.

Ao reunir arquitetura, design, arte e paisagismo sob uma perspectiva mais sensível, a mostra aponta para um mercado cada vez mais atento às necessidades emocionais dos moradores.

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